A psicoterapia profunda é tanto uma ciência, um estudo de conhecimento empírico, quanto uma arte, um compromisso prático e pessoal com a outra pessoa. (E. Edinger)

Die Tiefenpsychotherapie ist ebenso eine Wissenschaft, ein Studium des empirischen Wissens wie eine Kunst, ein praktisches und persönliches Engagement mit anderer Person. (E. Edinger)

domingo, 25 de abril de 2010

Comunicação: uma ferramenta para as relações

Essa semana resolvi discorrer sobre o tema da comunicação. Lendo os livros "Família e ..." de Cerveny, e "A pragmática da comunicação humana" de Watzlawick, fixei minha atenção nas diversas formas e na impossibilidade da não comunicação. O tempo todo estamos nos comunicando. A autora Cerveny traz um modelo de explicação de como se dá a comunicação humana. Irei expor brevemente para melhor compreendermos os axiomas que serão explorados nas próximas semanas.

Cerveny trabalha com a idéia de que um emissor envia uma mensagem a um receptor através de um canal, havendo um feedback. Quando a mensagem faz esse trajeto ela se depara com os obstáculos, que a autora identifica como sendo os valores, os preconceitos, as vivências do emissor e receptor. Esses obstáculos interferem diretamente na relação.

É necessário levar em conta o contexto e o que está acontecendo nesse todo para melhorarmos a nossa comunicação. Observar onde estamos e como devemos nos colocar, buscando, caso opte pela fala ou não, identificar como o outro (o receptor) ouviu e captou a sua mensagem. Quando não há essa disponibilidade os obstáculos de que citei acima assumem uma posição maior, o que pode atrapalhar a relação do casal e da família.

Outros obstáculos costumam agir nas relações, como ouvir o que se quer ouvir, não saber quando calar e falar, a contradição da fala e do comportamento, um mesmo fato compreendido de formas diferentes, entre outros. Se levarmos em conta que o grande desejo atual dos casais e das famílias é melhorar o diálogo, precisamos nos atentar para esses pontos para alcançar a melhora da relação.

Casais que não se comunicam de maneira acertada tendem a ter sérios problemas na relação conjugal, pois palavras não ditas assumem uma proporção maior e mais fantasiosa que o outro desconhece. Percebo que o grande desafio de uma relação é poder construir um lugar de diálogo limpo e para isso é de extrema importância considerar o outro nos mais diversos contextos.

Esse tema da comunicação é muito amplo para encerrarmos nessa semana. Vou me propor a escolher alguns axiomas para as próximas reflexões e tentarei expor algumas situações cotidianas para melhor compreendermos as nossas relações.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Senilidade e a Invisibilidade Social

Há pelo menos dois anos venho refletindo sobre o tema do idoso no Brasil. Em 2008, eu e Clarissa Magalhães escrevemos um artigo, resultado de nosso estágio em uma cidade geriátrica, com questionamentos sobre a posição social do idoso. O artigo foi intitulado "Asilamento e Morte Social," apresentado na Sociedade Brasileira de Psicologia e que me incentivou a novamente escrever sobre a posição do idoso em nossa sociedade.

A maioria dos idosos no Brasil encontram-se em condição de invisibilidade, social, política e muitas vezes familiar. Morte Social? Morte Familiar? Estão vivos, mas não possuem lugar. A visão sobre o ancião mudou, do patriarca para ... para o quê? Em muitas famílias não há espaço para o idoso. Há alguns anos atrás o idoso era tido como o patriarca, que era dotado de sabedoria. Não quero entrar no mérito do autoritarismo vivenciado por alguns sistemas familiares. Vou aqui levar em consideração apenas a posição de respeito para o membro mais velho. 

O ancião era o guia familiar, os mais novos pediam conselho e ouviam as suas orientações. Eles exerciam um papel que, após o término da sua função de produtividade, assumiam o de líderes familiares. O idoso saía do lugar de provedor, cargo este assumido por seus filhos, para ocupar o de orientador. A sabedoria nada tinha a ver com estudos, era o arquivo das experiências da vida.

Hoje, algumas famílias encontram-se cada vez mais fechadas e mais focadas na produção, aquele que não produz não tem espaço. O idoso dessa forma perde o seu lugar na família e na sociedade. No entanto, acredito que, assim como os jovens conseguiram, ao longo da história, mudar a sua posição social e familiar, tornando-se importante foco da sociedade, a senilidade conseguirá novamente o respeito.

Como? Se cada família jovem conseguir compreender que, em determinado momento precisará cuidar dos seus idosos, irá construir em seus filhos a mesma compreensão. Se conseguir sair das justificativas capitalistas, conseguir valorizar o saber, sobrepondo o valor da produção, irá re-construir o valor do idoso. Se pais, filhos e netos assimilarem o ciclo vital e conseguirem re-significar os papéis familiares, todos terão direito e lugar na sociedade.

Essa semana coloco em evidência um tema que tem aparecido com frequência no meio acadêmico, o que mostra certa inquietação dos estudiosos em compreender a forma como a terceira idade vem sendo tratada. A população está envelhecendo e precisamos modificarmos o nosso olhar, a nossa educação e o respeito por aqueles que fizeram e fazem parte da história.




sexta-feira, 9 de abril de 2010

É verdade?! Um questionamento para o olhar nas relações.

O outro. A verdade. A sua verdade. A minha verdade. A minha mais absoluta verdade. Quanta incoerência, quanta pretensão. Que verdade é essa que só eu enxergo?

Estamos entrando no campo da aceitação, do conhecer e aceitar o outro na sua legitimidade. Começo esse tema com a seguinte questão: estaremos sendo éticos na nossa conduta, no nosso olhar para o mundo das relações? Estamos prontos para ouvirmos e aceitarmos o outro? Há disponibilidade independentemente do nosso ponto de vista?

Vivemos cada vez mais isolados nas nossas verdades, são livros, crenças, opiniões públicas, condutas que nos espelham e nos causa repulsa. O mundo nos proporciona questionamentos do nosso viés analítico, basta sabermos se estamos dispostos a nos olhar e a nos questionar.

Posso estar crente na minha verdade, mas tenho o direito de desqualificar e ignorar o outro? Que relação estabeleço com o mundo quando me falta tolerância, humildade, compreensão e respeito? 

Lendo o livro "Pensamento Sistêmico: o novo paradigma da ciência" escrito por Maria José Esteves de Vasconcellos, me peguei questionando qual seria a verdadeira ética. Assim como a autora, penso que a ética é você conseguir aceitar o outro na sua legitimidade, na sua verdade, na sua visão, no seu ponto de vista e na sua conduta. 

Acredito que a nossa evolução se constrói na nossa capacidade de tolerar, ampliando nossa visão, compaixão e aceitação. Estaremos assim sendo coerentes e éticos quando aceitarmos e convivermos com o outro como ele realmente é.

O texto dessa semana tenta nos colocar em conflito. Como estamos agindo nas nossas relações pessoais e com o mundo? Estamos sendo éticos? Tolerantes? Respeitosos? Vamos refletir e até a próxima.



sexta-feira, 2 de abril de 2010

Consciência e Liberdade de Escolha

Lendo o livro Ponto de Mutação de Fritjof Capra me deparei com um parágrafo que diz sobre a consciência e a liberdade de escolha.
Como estamos nós, seres humanos, usando da nossa consciência e liberdade de escolha?

A evolução da consciência nos deu a possibilidade de conquistas que mudaram a vida, como Darwin com a teoria da evolução das espécies, Einstein e a teoria da relatividade, Fleming com a descoberta da penicilina. No entanto, a mesma consciência construiu destruições: a bomba de Hiroxima, o Holocausto, as guerras por ideologias religiosas.

Isso me faz pensar na nossa condição humana atual e, para tentar entendê-la, proponho uma comparação com o mundo animal. Os animais usam de uma sabedoria que nós seres humanos não temos mais. Os rituais de lutas no mundo animal se dão até que o adversário reconheça que perdeu e identifique a sua incapacidade de continuar lutando. E nós seres humanos? Vimos tantos que em lutas se matam, sendo capazes de destruir a sua própria espécie. No mundo animal encontramos claramente a cooperação para que o sistema continue em funcionamento. Com frequência vimos homens que não sabem mais o que é cooperar e se perdem no egoísmo do seu mais profundo individualismo. Grande ilusão! De que individualismo falamos? Não existe ser no mundo completamente independente, estamos todos interligados. Somos parte de um sistema e sem a consciência disso caímos na ilusão de independência, e consequentemente no gosto amargo da solidão.

A frase que tanto escuto "quero ser independente" me faz questionar, que independência se almeja? Ser livre na alma, estar de acordo com os seus princípios e valores, estar ligado a sua essência te faz um homem livre, mas nunca independente. Somos todos dependentes, estamos todos interrelacionando-se. Somos partes de um sistema social fazendo parte de um ecossistema, e por isso, não podemos e não conseguiremos nos reduzir à unidades menores. Somos o todo.

"Podemos deliberadamente alterar nosso comportamento, mudando nossas atitudes e nossos valores, a fim de readquirirmos a espiritualidade e a consciência ecológica que perdemos" (CAPRA,2006).

Temos a liberdade de escolha, mas precisamos recuperar a consciência, o contato com o mundo interno e a realidade da vida.