A psicoterapia profunda é tanto uma ciência, um estudo de conhecimento empírico, quanto uma arte, um compromisso prático e pessoal com a outra pessoa. (E. Edinger)

Die Tiefenpsychotherapie ist ebenso eine Wissenschaft, ein Studium des empirischen Wissens wie eine Kunst, ein praktisches und persönliches Engagement mit anderer Person. (E. Edinger)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O Relacionamento dos Opostos

Muito ouvimos dizer: o meu namorado, marido é exatamente o meu oposto. Quantos casais conhecemos que dizem estar em companhia de uma pessoa tão diferente? Nesse texto vou trazer uma reflexão sobre a sombra nas relações conjugais. Será que aquilo que o outro tem, que nos foi num primeiro momento objeto de admiração está tão distante daquilo que sou? Para isso, irei me embasar no capítulo de  Maggie Scarf do livro "Ao Encontro da Sombra".

Trabalhar com a sombra não é trabalhar com algo só negativo, tem um aspecto de potencialidades que podemos enxergar no outro e não conseguimos perceber em nós. No relacionamento podemos notar o quanto aquela qualidade que foi tão atraente tornou-se motivo de grandes discussões. A autora traz em seu texto a importância de diferenciar aquilo que de fato é sentimento, desejo, pensamento que está dentro de nós e aqueles que estão dentro do parceiro. 

É necessário delimitar e perceber o que é nosso e o que é do outro. Por exemplo, você é uma pessoa sociável, comunicativa, positiva e vive com outra pessoa caseira, pé no chão, estável e pessimista. A segurança que ele te trouxe no início passa a ser um problema depois, pois o que prevalece é a monotonia. E aquilo que para ele era motivo de admiração, pois via uma mulher alegre e com vigor passa a ser visto como superficialidade. Ok, e agora? 

A autora traz o argumento de que as características estão em ambos, o segredo é poder assumi-las, perceber que um não precisa carregar pelo outro uma necessidade que é do relacionamento. Normalmente é feito um acordo inconsciente para que as necessidades sejam supridas a partir do outro, gerando assim um conflito interpessoal. 

É importante que haja a transformação do conflito interpessoal para um conflito intrapsíquico, ou seja, poder recolher as suas necessidades, as necessidades do outro e as do relacionamento, diferenciar e assim evitar uma projeção e uma expectativa quanto ao comportamento do parceiro. Ambos unem-se para conhecer do outro e de si mesmo.  

Para finalizar trago um parágrafo da autora que deixa evidente o quanto tudo está interligado, e que os opostos nada mais são do que a nossa sombra no relacionamento.

"Muitos casais parecem ser pólos opostos. São como marionetes num espetáculo: cada um deles desempenham um papel bem diferente do outro na parte do palco que está aberta ao olhar do observador objetivo; mas, fora de vista, os cordões das marionetes se emaranham. Eles estão profundamente enredados e emocionalmente interligados, abaixo do nível da percepção consciente de cada um. Pois cada um deles incorpora, carrega e expressa pelo outro os aspectos reprimidos do eu (o ser interior) do outro".  


quinta-feira, 10 de junho de 2010

Relacionamento, Amor e Poder

Grande parte das pessoas têm problema com relacionamentos, amam, querem estar juntos mas ... são tantas as brigas. Vimos nos outros textos a importância da comunicação e o quanto ela é fundamental para se ter um bom convívio. No entanto, outros aspectos estão em jogo e venho discutir nesse texto um pouco sobre amor e poder.

Lendo o livro "Conhecendo a Si Mesmo" Daryl Sharp, encontrei um parágrafo no qual me detive por algum tempo e reproduzo para vocês: "Eu o amo do jeito que você é, não pelo que você me dá, não pelo que eu quero que você seja ou gostaria que fosse, mas pelo que você é. Quem conseguir chegar a esse ponto, na minha opinião terá o que honestamente pode ser chamado de relacionamento psicológico. Qualquer outra coisa não é amor, e sim poder".

Esse é um grande dilema, eu o amo mas não entendo porque age de forma tão diferente. Sim, as pessoas são diferentes e não vão atingir todas as nossas espectativas. O que nos resta fazer é decidir. Ter que fazer o sacrifício da escolha, essa pessoa, desse jeito, com esses defeitos ou sem a pessoa.

E como se pode viver bem um relacionamento? O autor traz em seu livro que não são com discussões baseadas em textos psicológicos que se vive bem, mas sim na possibilidade de reconhecer seus sentimentos. "Ok, estou de mau humor, hoje não é um bom dia para conversar". O relacionamento funciona com base nos valores sentimentais e não na disputa de quem manda em quem, de quem está certo ou errado, de uma ou de outra opinião. Em muitos relacionamentos ocorre a competição. Relacionar-se não pode ser um combate. Relacionar-se é fazer uma aliança, um casamento, onde ambos estão dispostos a aceitar o outro e a construir uma relação e não uma guerra fria.

O amor e o poder andam juntos, mas onde há lugar para o poder não há lugar para o amor. O amor é puro, é aceitar o outro com tudo que ele traz, na sua mais complexa forma de viver e amar. E como diz C.G. Jung:

"Onde o amor impera, não há vontade de poder; e onde o poder predomina, o amor está ausente. Um é a sombra do outro".