- Olá! Prazer, sou psicóloga.
- Olá! Prazer, sou médica.
- Olá! Prazer, sou engenheira.
- Olá! Prazer, sou esteticista.
- Olá! Prazer, sou mãe da Vitória e do Leonardo.
- Olá! Prazer, sou professora e mãe do Giovani.
Quantas pessoas não se apresentam assim?
Lendo um texto de Edward C. Whitmont, intitulado Persona: Máscara que usamos para o jogo da vida, do livro Espelhos do Self encontrei esse trecho que reproduzo abaixo:
" (...) Temos de nos tornar conscientes de nós mesmos enquanto indivíduos separados das exigências externas feitas em relação a nós, temos de desenvolver um senso de responsabilidade e uma capacidade de julgamento não necessariamente idênticas aos padrões e expectativas externas e coletivas, embora, é claro, esses padrões devam receber a devida atenção. Temos de descobrir que usamos nossas vestimentas representacionais para proteção e aparência, mas que também podemos nos trocar e vestir algo mas confortável quando é apropriado, e que podemos ficar nus em outros momentos. Se as nossas vestes grudam em nós ou parecem substituir a nossa pele é bem provável que nos tornemos doentes".
O que o autor quer dizer com esse trecho? Que há um problema quando a pessoa deixa de ser o que é para ser uma profissão, a ocupação na sociedade, o papel e a posição social. Mas nós não somos tudo isso? Sim, somos, o problema passa a existir quando a pessoa só é o que faz, só é aquilo que tem como posição e função social.
Edward Whitmont diz que nós podemos ser tudo isso e ser nós mesmos, basta conseguir fazer uma diferenciação daquilo que se faz, da posição que se ocupa e daquilo que é a alma (o que é seu). Você pode trabalhar e ser o profissional durante todo o período que o trabalho exigir, o que é fundamental para o desenvolvimento do indivíduo, mas é de extrema importância saber ser o que realmente você é, a alma, nos diversos momentos e episódios de suas vidas.
Conhecer a si mesmo é algo fundamental para saber diferenciar entre aquilo que se é pelos padrões e expectativas externas, e aquilo que pode ser, ou seja, vestir a sua roupa mais confortável. É saber que roupa usar e em que momento usar. A roupa é uma analogia dos nossos comportamentos sociais. Se a Beatriz só sabe ser mãe do Giovani e ser professora, ela mata as possibilidades de ser a Beatriz. Se a Léa só sabe ser esteticista ela mata as possibilidades diversas de ser a Léa.
Comecemos o ano de 2011 com a abertura de um novo conhecimento, o conhecer a si mesmo na sua mais completa diversidade. Conhecer a si mesmo na sua profissão, função familiar, na suas ausências, limitações, nos prazeres e principalmente nas muitas possibilidades.