A psicoterapia profunda é tanto uma ciência, um estudo de conhecimento empírico, quanto uma arte, um compromisso prático e pessoal com a outra pessoa. (E. Edinger)

Die Tiefenpsychotherapie ist ebenso eine Wissenschaft, ein Studium des empirischen Wissens wie eine Kunst, ein praktisches und persönliches Engagement mit anderer Person. (E. Edinger)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sexualidade no casamento

O casamento passou por mudanças significativas nos últimos anos. De vínculo financeiro para vínculo afetivo, do sexo depois do matrimônio para sexo antes da consagração, da liberdade de escolha para a vivência de escolhas.

Dentre muitos temas relacionados ao casamento, dos quais já postei aqui, trago esse mês o sexo para refletirmos. Usei dois livros, um de alcance direto de muitas pessoas e outro de conteúdo teórico voltado à psicologia, para explicar tanta mudança na vida sexual de muitos casais.

O romance de Elizabeth Gilbert, "Comprometida", traz a história da origem do casamento e como o casamento é sentido e vivido em nossa sociedade atual. Para a autora nascemos carregados de expectativas de nossos pais que nos dizem desde pequenos o quanto somos especiais, ou seja, diferentes do filho do vizinho. Casamos com a ideia de encontrar a felicidade e projetamos no parceiro nossos ideais e sonhos para que ele magicamente os descubra e realize-os, afinal somos alguém especial que ele não pode nem sonhar em perder. 

No livro de Esther Perel, "Sexo no cativeiro", a autora traz a relação sexual como algo que saiu da clandestinidade, do proibido, para algo liberal e muitas vezes sem graça. O casamento trouxe a tão esperada e desejada intimidade e afastou o desejo, o mistério. Trouxe o amor, o carinho, o aconchego, mas afastou a paixão, a vontade louca de estar com aquele que um dia despertou um sentimento especial, diferente o suficiente para desejar senti-lo por toda vida. Ela questiona por que o sexo tem se tornado chato e sem graça em casais que afirmam se amar tanto?

Esse tema do sexo tem sido frequentemente discutido em várias rodas de conversas, palestras, workshops e penso que algo na liberação sexual, na intimidade e na necessidade do amor tenha refletido na monotonia sexual de vários casais. Alguns resolvem trabalhar isso buscando satisfazer esse desejo fora da relação, fazem e destroem aquilo que um dia foi desejo soberano, o companheirismo. Outros buscam incessantemente dialogar e tentar compreender o que mudou, o que fez aquele fogo todo virar brasa. 

O estresse tem sido um grande inimigo da sexualidade, companheiro presente na vida de muitos casais. Além do estresse, a intimidade sem individualidade mistura e afasta. Há uma necessidade do casal aprender a se diferenciar, a manter o amor, o companheirismo, a igualdade, mas trazer a individualidade. A particularidade e o mistério trazem como parceiro número um o desejo. Aprender a ter vida conjugal e individual faz do sexo algo mais próximo e prazeroso, intimidade com indiferenciação faz o sexo ser morno e escasso. 

Sexo bom no casamento não é sexo frequente, diário, é sexo com amor e desejo.