A psicoterapia profunda é tanto uma ciência, um estudo de conhecimento empírico, quanto uma arte, um compromisso prático e pessoal com a outra pessoa. (E. Edinger)

Die Tiefenpsychotherapie ist ebenso eine Wissenschaft, ein Studium des empirischen Wissens wie eine Kunst, ein praktisches und persönliches Engagement mit anderer Person. (E. Edinger)

domingo, 30 de setembro de 2012

O casamento por escolha

Nascemos, crescemos e somos criados por pessoas que não escolhemos. Somos inseridos em uma família sem termos a possibilidade de negarmos. Podemos futuramente até abandoná-la mas, a família de origem continua em nós. 

Cresmos e aprendemos a escolher as pessoas que irão conviver conosco durante a vida. Amigos, colegas, profissão, trabalho, emprego e o nosso cônjuge. 

O que nos motiva escolhermos determinada pessoa para nos acompanhar em um período de nossa vida? Não usarei a ideia de escolha para o resto da vida pois não quero me prender na ideologia do amor romântico. Me basearei na ideia do casamento pelo tempo escolhido, seja ele um breve relacionamento ou longo o suficiente para acompanhar o outro até o seu fim. 

Há alguns anos atrás a união tinha sua determinação em outros pilares como acordos familiares, sociais e políticos. Com o avanço do tempo, houve a possibilidade  de escolha pelo sentimento e com isso a valorização do matrimônio pelo amor. Hoje a escolha permanece mas tenho percebido que muitas relações se mantém não mais pela ideia do amor romântico. Questiono, quais os motivos de união? O que faz o casal permanecer no casamento? Em meu consultório me deparo com um alto índice de intolerância na relação o que culmina, muitas vezes, com o seu fim. A intolerância, ao meu ver, mostra uma dificuldade do casal em relacionar-se com o jeito do outro.  E por isso questiono: o que tem sido a mola propulsora da escolha do cônjuge? Será que a união é de fato baseada no amor? Será que a paixão, o ímpeto de viver um amor romântico faz com que as pessoas idealizem o outro a ponto de não suportarem a realidade em questão? O que determina a escolha do cônjuge? 

A meu ver, muitos se perdem quando idealizam suas próprias vidas e projetam no outro a conquista de seus planos. No entanto, isso não é comunicado ao outro que chega na relação com tantas expectativas e planos quanto o seu parceiro.  Após o casamento, a vida diária, a rotina tem cansado muitos casais que procuram a terapia para livrarem-se dessa monotonia conjugal. Viver uma vida sem rotina é uma ilusão. A ideia de liberdade trouxe o aprisionamento, muitos vivem atrás de serem livres e acabam presos na ideologia de algo inexistente. O ser livre é aquele que tem a capacidade de viver de acordo com a sua natureza. No entanto, essa palavra trouxe distorções e siginificações que faz com que o indivíduo associe a liberdade com o egoísmo de "eu faço da minha vida o que eu quiser", desconsiderando o parceiro. Essa ideia de liberdade para muitos é algo intolerável. Para lidar com o casamento muitos casais usam de artifícios para quebrarem com a instituição conservadora do casamento e consequentemente acreditam que libertam-se da rotina. 

Relações que permitem a entrada de outros parceiros, casamentos onde a opção é viver em residências diferentes, sexualidade que ultrapassa o conservadorismo. Não há crítica ao novo modo de viver de muitos casais, e sim uma reflexão, o que faz o novo casamento sentir-se estafado de uma união monogâmica? 

O casamento tem como significado, união, associação, vínculo. Associar-se a alguém de sua escolha. O que determina um casamento saudável é a possibilidade de eleger. Estar na relação por opção e não por dever ou por dependência. Desta forma o resultado é a união com satisfação e proximidade.

Existe uma diversidade enorme de casamentos, mas sem dúvida alguma o que estabelece a verdadeira união é o desejo de estar nela. A meu ver, a união do casal hoje não se dá mais somente pelo amor, o que une o casal é a possibilidade de dividirem uma vida, de compartilharem planos, expectativas e sonhos. Com isso, viver um casamento é querer estar nele, é almejar o parceiro em sua amplitude de sentimentos pelo tempo que desejarem . 

O amor faz parte da escolha e sem dúvida é o maior alimento do casamento, mas não é o único.