A psicoterapia profunda é tanto uma ciência, um estudo de conhecimento empírico, quanto uma arte, um compromisso prático e pessoal com a outra pessoa. (E. Edinger)

Die Tiefenpsychotherapie ist ebenso eine Wissenschaft, ein Studium des empirischen Wissens wie eine Kunst, ein praktisches und persönliches Engagement mit anderer Person. (E. Edinger)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Dores do amor!!

"Só se poderia pensar em amor livre se todas as pessoas realizassem elevados feitos morais. Mas a ideia do amor livre não foi inventada com esse objetivo, e sim para deixar algo difícil parecer fácil. Ao amor pertencem a profundidade e a fidelidade do sentimento, sem os quais o amor não é amor, mas somente humor. O amor verdadeiro sempre visa ligações duradoras, responsáveis. Ele só precisa da liberdade para escolha, não para sua implementação. Todo amor verdadeiro profundo é um sacrifício. Sacrificamos nossas possibilidades, ou melhor, a ilusão das nossas possibilidades. Quando não há esse sacrifício, nossas ilusões impedirão o surgimento do sentimento profundo e responsável, mas com isso também somos privados da possibilidade da experiência do amor verdadeiro".

O amor é um tema muito falado e pouco vivido. O amor é confundido o tempo todo com posse e dependência. Quando Jung fala que o amor precisa de liberdade para escolha, penso que o amor para ser vivido precisa ser um desejo e não uma necessidade. Estou nessa relação porque gosto, porque quero e não porque preciso. Estou porque o escolhi.

O que faz uma pessoa precisar estar na companhia do outro para, de fato, sentir-se amada? Seria esse o sentimento sincero de uma relação? Não seria a baixa auto-estima o combustível do ser dependente? Poder amar a si mesmo é permitir-se admirar-se e o admirável é notado, por si e pelo outro. A partir daí basta o outro reconhecer-te como um ser desejável em sua plenitude humana, cheia de falhas, cheia de defeitos e imensamente coberta pela qualidade do amor a si mesma e do amor ao próximo. O sacrifício não significa apenas renunciar algo em prol do outro, mas acima disso, é um sacrifício quando pensamos na origem dessa palavra vinda do latim sacrum facere, uma oferta ao sagrado. Sacrificar algo em si não precisa ser visto de maneira negativa, já que, o sacrifício é em prol de algo superior, nesse caso, o amor. 

Amar o outro como a si mesmo não é um mandamento que colocaria o escolhido acima de ti, mas sim igual na importância e no merecimento desse sentimento. Amar o outro mais do que a si mesmo é amor ou posse? É amor ou necessidade? É amor ou dependência? 

Segundo Jung "O amor é como Deus: ambos só se oferecem a seus serviçais mais corajosos".

Amar não é fácil quando exige de você que ame o outro como a si mesmo, já que amar-se tem sido, talvez, o amor mais difícil de conquistar. Consequentemente não há possibilidade do amor ao próximo, ou seja, não há possibilidade do amor em uma relação quando o olhar sobre si é tão frágil e apagado. 

Eros, é amor em sua essência, Eros é relacionamento e para finalizar esse texto, trago uma frase belíssima do sábio Jung:

"Raramente, ou melhor, nunca um casamento evolui a um relacionamento individual de forma serena e sem crises. Não há conscientização sem dores"