Tem momentos na vida que o que prevalece é o silêncio. O silêncio da fala, o silêncio da ansiedade, o silêncio do impulso, o silêncio do andar, o silêncio da respiração, o silêncio da preocupação. O silêncio é tão intenso que começa a trazer um outro lugar no mundo, outros valores, outros ares e outras pessoas. Mas o silêncio por si só incomoda quem está de mãos dadas com o barulho. E é aqui que o início de uma luta se faz presente. Quanto tempo conseguiremos tolerar nosso verdadeiro silêncio quando o mundo nos exige uma voz alta e estridente?
Um dia desses, nesse tempo incerto caminhava pela rua e parei com meu filho embaixo de um limoeiro, ali fiquei parada olhando os frutos que se desenvolviam. No profundo silêncio o cheiro do limão me fez conversar. Como a natureza é sábia e forte. Aquela pequena árvore fazia lentamente o seu processo em vida. No momento certo apresentou ao mundo seus filhos, deu a eles o necessário para crescerem fortes e se desprenderem de seus longos braços. Se tornaram grandes, suculentos e capazes de criar suas próprias raízes. Alguns serão os nossos alimentos e aqueles que, antes do tempo da colheita, caírem ao chão se tornarão dispensáveis a nós seres humanos exigentes, para dar a terra o melhor de seus nutrientes. Nesse mesmo instante o vento, a chuva começaram a balançar os galhos daquela árvore e mudou o percurso que idealizei para aqueles frutos e, como reagiu a natureza? Aceitou! Somos capazes de simplesmente aceitarmos o caminho que a vida nos impõe? Somos capazes de aceitar as tempestades e suas consequências?
No silêncio das árvores o vento é uma voz alta que se impõe. No silêncio das árvores sua copa é uma voz alta quando o sol se impõe. Diante do sol e diante do vento algo em nós, filhos da natureza, age na contramão do que nos foi ensinado. Diante do silêncio da vida e do silêncio da morte todas as vontades se impõe. Diante da vida e diante da morte todo controle se impõe. Mas diante daquilo que precisa ser não há tentativa de imposição que se faça tão forte quanto a jornada de cada alma. O processo é lento, silencioso, solitário e transformador.
"Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento. Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem! Avance firme e torne-se Oceano!" - Osho
"O Rio e o Oceano" é minha tentativa de finalizar um texto, mas de maneira nenhuma colocar um ponto final no silêncio que guia.