A psicoterapia profunda é tanto uma ciência, um estudo de conhecimento empírico, quanto uma arte, um compromisso prático e pessoal com a outra pessoa. (E. Edinger)

Die Tiefenpsychotherapie ist ebenso eine Wissenschaft, ein Studium des empirischen Wissens wie eine Kunst, ein praktisches und persönliches Engagement mit anderer Person. (E. Edinger)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Tensão entre o ser e o não ser.

Ultimamente tenho me deparado com muitas falas orientando para que sejamos nós mesmos.
"Seja você mesmo!" Vocês já ouviram isso? Em uma dessas vezes eu passei o dia pensando, como seria ser eu mesma? Será que eu já não era? Será que essas pessoas que, com tanta força, dizem "seja você mesma"antes não eram? O que será que acham que estão sendo e que antes não eram? Isso me pareceu um pouco abstrato, me digam por favor, o que vocês acham? Isso tem me parecido um pouco peculiar. Não quero dizer raso, superficial porque isso é desqualificar o ser você mesmo de alguém que eu não conheço e não sei se realmente é. O que eu queria propor aqui é o seguinte, vamos pensar juntos? 

Abri os comentários, nem sei porque não estavam abertos. Estou sentindo vontade de ter vocês um pouco mais perto. Me escrevam!!! Preciso entender esse seja você mesmo! Vou falar um pouco do que eu penso sobre isso. 

Recomeçando. Seja você mesmo! O que será que as pessoas acham que estão sendo e que não eram antes? Às vezes tenho a impressão de que ninguém consegue "ser a si mesmo" porque estamos em processo de transformação constante, e a cada transformação eu poderia concluir que eu não estava sendo "eu mesma" que agora,  na nova descoberta, sou finalmente "eu mesma". Mas até quando vai durar esse "eu mesma"? Até a próxima transformação? E aí, quando eu me transformar e me tornar a minha "nova eu mesma", o que acontece com a "eu mesma de antes?" Que coisa mais estranha, vocês não acham? 

Começo a achar que não somos nós mesmos em nenhum momento. Somos tentativas de ser alguém em um lugar que esperam que sejamos alguém. Sendo assim, o que o mundo deseja que eu me torne não sou eu mesma, correto? Isso seria um estado que me ludibria dizendo que o que estou sendo, sou eu mesma. 

Curioso isso!!! Às vezes tenho a sensação que ser você mesmo é quase que fazer o que bem entender. Mas poxa, antes você fazia o que bem entendia mesmo que isso fosse fazer o que o outro esperava. Será que isso é tão sombrio assim? Sinceramente, acho que não! Acho que é só mais uma forma de não se responsabilizar por escolhas, afinal, não se perceber em nada na relação com o outro é possível? Nós sempre temos uma ideia sobre o que somos nas relações. Se são ideias equivocadas ou não, são outros quinhentos. Bom, mas o que importa agora é que eu sou eu, não é?

Desculpe!!! Acho que ainda não!! Esse sou eu gritado aos quatro ventos não é uma processo interino, é um "sou eu' que precisa dizer que encontrou a si mesmo. Que desolação sinto agora. Parece que tudo está ao avesso e estamos nos acostumando com isso. Nos acostumando com a ideia de que podemos ser nós mesmo, simplesmente porque nos revoltamos. A revolta é só mais um ladinho do que somos e não o todo que somos. Amanhã seremos outro. 

Acho que precisamos não sermos mais nós mesmos e ponto final. Precisamos de movimento. Estou sendo alguma coisa em mim hoje, amanhã serei outra coisa em mim. 

E para finalizar eu extrai do livro "O mundo de Sofia" um conceito de Hegel sobre o ser e o não ser.

"Se eu abordar o conceito de "ser", não tenho como evitar a abordagem do conceito oposto, isto é, o "não ser". Não se pode refletir sobre a existência sem considerar que, no instante seguinte, pode-se deixar de existir. A tensão entre o "ser"e o "não ser" é solucionado pelo conceito de "transição". Para que algo exista, é necessário que transite a um só tempo entre o ser o não ser. "


sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Uma Macabéa em nós!

Reli "A hora da estrela" de Clarice Lispector. Macabéa, uma mulher que vive uma vida em sobrevida. Aquela mulher que veio da aridez da vida para encontrar a aridez de uma sobrevida. Por que trazer uma literatura clássica para cá? Talvez porque não tenhamos nenhuma consciência do nosso estado "Macabéa". Penso que Macabéa deveria se tornar um verbo. Estou macabeando, sem consciência, sem sentido, sem vida, sem nada.

Onde encontramos uma Macabéa? Talvez eu nunca tenha notado esse estado sem antes ter me deparado com a aridez de uma vida sendo estrangeira. Num primeiro momento relacionei esse sentimento árido à língua e a cultura tão diferente. Logo depois percebi, somos todos estrangeiros na nossa própria vida. Seria difícil acessar o nosso estado Macabéa? Aquele estado inconsciente que nos leva de volta para um inteiro não saber? Quase um estado intrauterino. 

Macabéa nada sabia da vida, nem da sua própria vida. Macabéa não tinha existência e a angústia extrema não está nela, está no que ela nos provoca. Está na vida que nos leva a sentir, retratando algo que em nós não conseguimos assumir. Criamos ideias tão fixas de auto conhecimento que não suportamos o nosso lado mais sombrio que é o estado que nada sabe de si. Macabéa nada sabia e tudo bem. Talvez o estar tudo bem pelo estado de inconsciência tenha permitido Macabéa ser livre. Livre do que? Não vou me atrever a responder afinal, quero que a Macabéa em mim possa estar presente aqui.

Talvez vocês sintam esse texto como algo assim: "Camila, nada entendi. Nada me acrescentou. Nada do que disse me fez refletir. Ou melhor, esse seu texto está uma porcaria". Tem razão, talvez tivesse sido melhor apagar tudo e nada disso deixar existir. Mas Macabéa, em seu último suspiro de vida foi alimentada pela esperança. E essa esperança quero deixar existir. 

Não é aquela esperança que conhecemos, porque essa é a vã ideia de termos um desejo realizado. A esperança de Macabéa era a entrada na vida. E é assim que quero terminar. Onde está nossa esperança que nos colocará realmente na vida?

"... E é claro que a história é verdadeira embora inventada - que cada um a reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro - existe a quem falte o delicado essencial"

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Os alemães leem muito!

Desde que vim morar na Alemanha tenho notado que meu hábito de leitura aumentou muito. Sempre tive a leitura como algo presente em minha vida. O mundo dos livros era o meu bálsamo desde criança. Esse era e é o meu lugar!

Mas, por que resolvi falar sobre livros? Na verdade essa foi a forma que encontrei para analisar um comportamento muito extrovertido que a cultura brasileira tem. Por natureza sou extrovertida, no entanto, aqui pude descobrir um pouco de uma introversão forçada. Forçada porque ainda não falo a língua e também porque a cultura me é muito diferente. Fui para o meu mundo fazer um refúgio e nessas observações constantes, de algo completamente novo, fui me identificando com esse aspecto bem específico. Os alemães leem muito. Os alemães, desde muito cedo, carregam seus livros. 

Há alguns meses fizemos uma viagem à Roma e estávamos em um daqueles ônibus turísticos. No banco da frente uma mãe com dois filhos, provavelmente entre 8 e 10 anos. Enquanto olhávamos o movimento e conversávamos, cada uma das crianças estava imersa em seus livros esperando a próxima parada. Foi muito engraçado esse momento pois tentávamos adivinhar a nacionalidade deles. Abriram a boca, falaram muito baixo e lá estavam os alemães. Bingo!!! Acertamos. 

E o que tem a ver tudo isso com os meus pensamentos? Não é muito da nossa cultura a leitura mas quero trazer um ponto para reflexão. O que nos faz distanciar tanto do mundo da imaginação, do processo, daquilo que nos é entregue em um outro ritmo? O que nos faz consumidores vorazes de séries, futebol, novelas e pouco interessados em mergulhar num processo mais lento e que amplia a nossa capacidade empática, reflexiva e introspectiva? Os livros tendem a não mexer com a nossa ansiedade como, por exemplo, os seriados. Os livros nos presenteiam com um outro ritmo. Mas qual Camila? O nosso!!! Nos deparar com o nosso real ritmo é algo surpreendentemente revelador. Cada um tem um tempo de leitura, de entrega, de absorção, envolvimento e compreensão. Ele nos faz parar. 

Um dos livros que mais mexeu comigo esse ano foi Olhos d'àgua da Conceição Evaristo. Leiam!!! Um livro visceral, que me levou ao mundo das mulheres negras brasileiras. Talvez eu já soubesse de tudo aquilo, mas ficar com aquela história por dias me fez querer não esquecer das mulheres negras brasileiras. A literatura tem essa capacidade de nos marcar profundamente e precisamos questionar: porque temos medo desse recolhimento e desse processo introspectivo?

Muitos me dirão que não adquiriram esse hábito, mas aí me coloco a pensar. Qual hábito? Será que é o da leitura ou o de ficar em um outro tempo, em um outro ritmo, completamente entregue a algo que transforma? Será que uma visita à uma livraria não poderia ser o seu próximo ponto de parada em um shopping center? A literatura é um alimento que precisamos inserir na nossa dieta e,  como disse Virgínia Woolf: "Os livros são espelhos da alma." 

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Nada de nhe nhe nhe: sente aqui meu filho, e vamos conversar sobre feminicídio.



Quero começar o texto pedindo sinceras desculpas por tamanha ausência. Sei que muitas pessoas seguem meu blog e devem ter estranhado tanto tempo sem um texto. Nos últimos meses a vida pesou por aqui. Tenho tentado respeitar os meus limites mas nem sempre isso é possível, não é?  Resolvi escrever sobre um tema que não gostaria que fosse tão recorrente: o feminicídio. 

Quantas mulheres morreram nesse último mês no Brasil vítimas de homens filhos de uma cultura machista? Tenho um filho, olho para ele e penso: como estarão as mães desses homens brutais? Assassinos? Como seria olhar para um filho, que aparentemente era uma pessoa dentro do espectro de normalidade, e que da noite para o dia passou a ser um  assassino? Esses homens, filhos de uma cultura extremamente machista, se portam perante o mundo como maiores do que o próximo. Não consigo imaginar que homens assim se sintam somente superiores às mulheres: questiono a postura desses homens diante de qualquer outro ser que eles considerem inferior. 

Me dói imaginar relações tão abusivas e dependentes psiquicamente, baseadas numa vã esperança de que tudo melhore e de que no dia seguinte tudo fique bem. Só que não fica. Mulheres são mortas, espancadas, torturadas diariamente, e estamos sempre de mãos atadas. Mas ainda me intriga uma questão: como transformar essa situação? Leis mais severas aos assassinos não resolverão nada no que diz respeito à agressão contra a mulher. 

Queria propor um olhar de base. Como eu disse, eu tenho um filho. Olho para ele todos os dias e penso: o que será que ele pensa das mulheres, ou, no caso, das meninas? Vejo o brilho nos seus olhinhos quando fica a me admirar e ao mesmo tempo, levantar opiniões nessa fase infantil em que os meninos não gostam de meninas e as meninas não gostam de meninos. 

Pausa!!!

Ok!! Isso é uma fase. Mas o que ele me diz sobre não gostar de meninas? 

“Mamãe, eu não gosto de meninas porque elas brincam de coisas chatas”. Ok! 

“Mamãe, eu não gosto de meninas porque elas falam muito de príncipes”. Ok! 

“Mamãe, eu não gosto de meninas porque elas são fracas e cheias de nhe nhe nhe”. Não... isso não é ok! 

Vamos lá meu filho: o que são esses nhe nhe nhes? “Ahhh mamãe elas ficam cheias de bla bla bla”. Percebo imediatamente que ele não sabe explicar o que exatamente é irritante no comportamento das meninas. E logo questiono: e o que elas dizem de vocês, meninos? “Que não gostam da gente porque somos fortes”. É claro que não dizem isso!!! Fico até com vontade de rir. Porém, o assunto é sério: me vejo diante de uma super projeção que, se não for cuidada desde cedo, se tornará uma “verdade absoluta”.

Senta aqui meu filho: as meninas também são fortes, e talvez o que vocês meninos não gostem nelas é o fato de não terem permissão para entrar no mundo delas. O mesmo acontece com as meninas: talvez elas não gostem tanto dos meninos porque não conseguem entrar no mundo deles. Esses mundos estão dentro do que vocês são, mas não porque vocês são meninos ou meninas, mas sim porque vocês mostram o tempo todo uns aos outros as diferenças humanas. Todas as vezes que não for possível adentrar um mundo desconhecido ou não permitido, iremos nos irritar.

Ainda não tive nada dessa conversa com ele, porque ele, ainda muito pequeno, não conseguirá atingir a dimensão do que é ser diferente. Mas, com cuidado, fui dizendo: meu filho, se elas ficam cheias de bla bla bla, saiba que vocês também! Cada grupo tem o seu bla bla bla. Ele arregalou os olhos, e percebi que ali alguma coisa fez sentido.


Não quero que meu filho cresça crendo na ideia de bla bla bla, mi mi mi, chilique, nhe nhe nhe, como sendo “coisa de mulher”. Esses padrões de comportamento são puramente humanos, e enquanto alguns adultos maduros aprendem a lidar com suas birras, outros, infelizmente, matam.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Vamos conversar sobre Adjetivar?



De repente o tempo passou e aqui estou, com meses de atrasos nas publicações. Às vezes precisamos aceitar que tudo que necessitamos fazer, simplesmente, não é possível. Aceitar que correr não é o melhor caminho. Diante de tantas mudanças, resolvi andar. Correr não é mais uma opção, chegar rapidamente a um lugar cansa e nada traz além de respiração ofegante e coração acelerado. Por isso, depois de um tempo ausente, eu voltei. Voltei para conversar sobre um tema que venho refletindo há algum tempo. Vamos conversar sobre a necessidade de Adjetivar?

Vocês já devem ter notado que vivenciamos uma grandiosa dificuldade em dialogar. São tantas as discussões cansativas que não levam a lugar algum. Tem algo muito errado acontecendo, as pessoas não se escutam mais. Fui observar diálogos e discussões e notei que, em uma tentativa de conversa rapidamente tudo se esvai quando se dá início a adjetivações. Falas como: Você não sabe o que diz. Você está descontrolada (o). Quanta burrice!  Você é ignorante! Que povo idiota! E não vou entrar nas adjetivações que encontramos nas brigas políticas. A questão que coloco é: Por que agimos crentes de que uma adjetivação irá levar a algum lugar produtivo? 

Quando damos início as nomeações do comportamento do outro, automaticamente abrimos espaço para as armaduras e lanças. Toda capacidade crítica e de reflexão se encerra exatamente nesse momento. Podemos pensar em muitas formas de intervir mas caímos com frequência excessiva nas adjetivações. 

Reflito sobre essa estrutura social e o comportamento rígido que impede a manifestação criativa diante de algo divergente. A meu ver, existe uma rigidez tremenda quando entramos em um diálogo pronto para uma batalha, ouvidos tapados, pensamentos borbulhantes e de repente, não estamos mais diante do outro, estamos diante de um espelho. Falamos com nós mesmos na tentativa de nos convencer que estamos corretos mas, não basta estarmos corretos, temos que desqualificar o outro.  E esse é o x da questão. 

Onde estamos apoiando nossas estacas? Como construímos caráter, ética em bases tão movediças? O que isso tem dito da sociedade em que estamos? Não somos mais capazes de partir do ponto em que pouco sabemos. Me parece que existe pouca humildade nas relações. Eu não posso dizer que preciso pensar melhor sobre o assunto ou que talvez tenha me equivocado em determinado pensamento. Preciso dizer que sei e que determinado grupo ou pessoa não sabe o que fala. A arrogância predomina mas não a minha, a arrogância é dele que acha que sabe tudo. 

Tem um ditado oriental que diz:

"O home comum fala, o sábio escuta, o tolo discute"

Vamos cuidar para que a nossa tolice não se perpetue. 


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

O cansativo discurso do empoderamento feminino.

Sou mulher e me dou ao direito de começar uma reflexão sobre esse cansativo discurso de empoderamento. Parto do lugar de mulher inserida e criada num mundo patriarcal, mas, não parto do lugar de milhares de mulheres que estiveram e ainda estão em lugares marginalizados. Diante disso convido todos a refletir, empoderamento feminino é um discurso efetivo?

No final do ano  surgiu na mídia o bombástico e tão esperado clipe da Anitta, “Vai malandra”. A colunista de revista Cult, Ivana Bentes escreveu o artigo: O que vale um funk? (Vale a pena a leitura). Ivana Bentes diz:

“Um corpo que o funk, o samba, o biquíni de fita isolante, toda a cultura solar carioca já vem dizendo, tem tempo, que não precisa ser apenas objeto e signo de assujeitamento, toda vez que quiser se exibir”.

Enxurrada de comentários a favor e contra e mais  uma outra enxurrada dizendo do empoderamento feminino. Eis que, eu realmente acho que Anitta ou qualquer pessoa deve fazer o que quiser da própria vida. O que me faz refletir é o tal discurso do empoderamento. Penso que, enquanto estivermos lutando por qualquer tipo de poder estaremos exatamente no mesmo lugar. Empoderar  é adquirir poder, o outro lado da mesma moeda do mundo patriarcal. Poder aqui ou lá não traz transformação, traz duelos. Enquanto não houver permissão de existirmos de dentro para fora, ainda precisaremos de mulheres que coloquem a celulite a mostra para dizer que está tudo ok. De mulheres que falem sobre o ponto G ou sobre filosofia. Sabe aquela história de que o poder é dado pelo outro? Pois é, empoderar é a eterna espera de que alguém  reconheça meu poder. Ou seja, podemos considerar que há um efetivo reconhecimento de si?  Precisaremos de modelos externos para nos fortificarmos. Não criticarei, em hipótese nenhuma, o trabalho de uma mulher, seja ele algo que eu concorde ou não. Ela tem o direito assim como todas as outras.

Vamos tentar sair dessa questão de coisa boa ou coisa ruim, de qualidade ou não qualidade, de imagem que degrine e de imagem que exalta, de representável e não representável, de vulgar e não vulgar, e tantas outros contrários. Essas polaridades ainda nos colocam na eterna discussão de bem e mal. Vamos além, vamos tentar nos perceber diante desses fatos todos. Tenho certeza que muitos de nós ainda se encontra no julgamento diante do comportamento de uma mulher. Mas nós mulheres, se quisermos efetivamente ter um lugar no mundo, precisamos abrir mão do poder para abrir espaço a toda existência feminina. Precisamos urgentemente nos isentar da crítica ácida ao trabalho de uma mulher. Concordemos ou não,  se quisermos mudar nossa condição no mundo precisamos, “pra ontem” mudar nosso posicionamento diante das Anittas. Se desejo para o meu filho um mundo melhor, não desejo que desapareçam as Anittas, muito pelo contrário, desejo que todas elas possam existir. Existir realmente! Existir!

Que 2018 seja um ano de mudança real, menos poder e mais integração. Bola pra frente que a Malandra vem aí.