A psicoterapia profunda é tanto uma ciência, um estudo de conhecimento empírico, quanto uma arte, um compromisso prático e pessoal com a outra pessoa. (E. Edinger)

Die Tiefenpsychotherapie ist ebenso eine Wissenschaft, ein Studium des empirischen Wissens wie eine Kunst, ein praktisches und persönliches Engagement mit anderer Person. (E. Edinger)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sobre o amor

Sobre o amor. O que significa amar? Que sentimento é esse que para muitas pessoas é o combustível da vida? 

Escrever sobre o amor é algo muito delicado. Esse sentimento  tem peso, significado e importância completamente diferente em diversas culturas. Na cultura ocidental o amor é essencial, é ar, é o pensamento e para muitos, o grande objetivo da vida. Mas, de qual amor falarei? Aqui, discorrerei sobre o amor romântico e o amor na atualidade baseada no livro de Regina Navarro Lins "O livro do amor".

Para dar início a esse tema delicado, diferencio o amor romântico do amor atual. O romântico é aquele que imagina, idealiza a vida de duas pessoas como sendo uma só. Há uma fusão onde a individualidade é deixada em segundo plano, visto que,  o objetivo dos amantes passa a ser a felicidade única e integrada. Hoje essa ideia do amor romântico está caminhando para uma substituição, onde o amor primeiro é por si e traz o outro para dentro desse mundo sem perder a individualidade. Individualidade é um conceito fundamental na atualidade. 

Pode-se pensar que no séxulo XX  era esperado que o amor fosse vivenciado de maneira intensa, idealizada, romantizada, endeusada, enfim, repleta de projeções humanas. Sendo isso, há uma impossibilidade de permanência na relação pois o parceiro idealizado torna-se real. 

Hoje há necessidade de pensar o amor a partir da ideia de que primeiro deve amar a si mesmo e com isso as expectativas com relação ao parceiro mudam, não sei se são completamente diferentes do amor idealizado mas, o objetivo é ter o outro como parceiro e não como aquilo que desejo. Também não acredito que seja possível, pois as projeções são inevitáveis. A questão é que há uma maior consciência para a compreensão do por que escolhemos aquele cônjuge. 

Ainda hoje vejo quantas pessoas duelam internamente entre essas duas formas de amar. De acordo com a autora, é perceber que há uma mudança na exigência de exclusividade que o ideal do amor romântico apresenta mas, discordo que esteja saindo de cena. A exclusividade, para muitos, ainda é algo importante e valorizado dentro da relação. No entanto, é discutível que exclusividade é essa, se é aquela que impede o outro de existir, de ter seu próprio espaço pode caminhar para o fim da união. Mas, se é aquele amor que pede exclusividade dentro da intimidade, a necessidade desse ingrediente passa a ser fundamental na relação. O que é exclusivo pode ser visto como algo só meu, mas dentro da relação o exclusivo poder ser aquilo que é só nosso.  
 
Devemos considerar que na sociedade ocidental atual ainda se vende a imagem do amor perfeito. Não sei se caminha para o fim, talvez para a fusão do romântico e do individual. 

Termino o texto desse mês com mais um parágrafo do livro, que ao meu ver, sintetiza o significado ocidental do amor.

"O amor é uma convergência de muitos desejos, alguns deles sexuais, outros éticos, muitos diretamente práticos, outros pouco românticos e fantásticos. No amor não queremos só sexo e segurança, mas também felicidade, companhia, diversão, alguém para  viajar, sair, ouvir conselhos, ter orgulho desse alguém, enfim, uma associação com quem é uma vantagem social e um aliado, alguém com quem vamos dividir o trabalho doméstico e aumentar a renda da casa, alguém de quem podemos depender na hora dos problemas e nos consolar nos momentos de tristeza, e por aí vai." 


 

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